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I love the blues
"E se eu me pintar de azul...
trocar minha voz com um cantor de blues?"
Escrito por Preto às 23h42
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partido do trabalhadores
o PT nos fez um grande favor. Mostrou, sem querer mostrar é claro, do que é feita a política neste país. Ela é asim, cheia de falcatrua mesmo. Talvez o mais grave erro do partido tenha sido ficar ao longo de sua existência berrando ser transparente, ético, correto, democrático, caxias...não era nada disso. Ou se deram conta depois, que ninguém governa sem mentiras. Só não viu quem não quis. Desde Duda Mendonça, passando pelas alianças de péssimo gosto político até a expulsão de Heloisa e outros, ficou claro o que era o PT. Um partido político, e não uma congregação de santos. O povo sempre se ilude...há um sebastianismo irremediável no imaginário do brasileiro. Precisamos de um presidente, de bons ministros, de boas políticas econômicas, sociais, mas aguardamos um salvador. O problema desse governo é quase o povo...algo como se o culpado fosse o inocente, a vítima...e o inocente, culpado por ser tão ingênuo.
Na falsidade tudo se assemelha. Outros que já governaram antes foram ruins também no quesito retidão. Contaram histórias para o povo, se elegeram e se esbaldaram com o poder. Mas vejo uma diferença...Assim como o técnico da nossa seleção de futebol disse uma vez que o gol, era só um detalhe, para muitos governos, o povo, pobre e oprimido sempre foi um pequeno e insignificante detalhe, cujo significado só aparece antes do pleito. Para este PT que governa o Brasil de hoje há algo mais do que o simples detalhe...há um cuidado maior, ainda que insuficiente, para com o povo...Procura-se enxerga-lo, mesmo que por pouco tempo no meio dessa névoa de atraso e ineficiência. Talvez por isso, eu não saí por aí como muitos que conheço, cuspindo no prato que votei. Não houve a estarrecedora surpresa, como já disse, os sinais eram evidentes. Nossa estrutura política e sua sistemática nos oferece poucas alternativas, ou melhor, se um partido seguir a ética, o que é o certo, será sempre um aspirante ao poder, ao passo que para se vencer uma eleição e se manter governando, um partido joga o jogo sujo. Longe do ideal, no momento temos essa alternativa. É pouco, o caminho é longo mas pode ser um começo. Afinal, em muito pouco tempo, se percebeu o problema e dessa forma, em meio a essa turbulência que envergonha muita gente, ou ao menos incomoda, surge a chance de reparar o erro. Vamos ver...
Escrito por Preto às 10h20
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E assim doze anos se passaram. Era estúdio que virou refúgio. Era minha casa antes de ser minha casa. E vieram as plantas, os sonhos, as idéias, as brigas as festas, muitas. Planos, diversos, felicidades e tristezas e mais festas, e mais planos. E nem todos deram certo, e nem todos deram errado. E mais festas, muitas. Muita música boa. Muita coisa engraçada e uma o outra tristeza que marcou minha vida. Pensou-se muito trabalho e muito mais trabalho acabou aparecendo, para o bem e para o mal. Chegou a Estrela e a casa foi tomando contornos e depois a companhia na hora certa pois talvez naquela altura já estivesse indo para o caminho errado. Daí já era uma casa. E um estúdio dando lugar a outro. Compromissos e dificuldades. Confiança e ajuda. Amor em vários sentidos.
Talvez não fosse errado o caminho, mas estaria assim, sem chance alguma de estar perdido, e é muito chato caminhar sabendo exatamente onde vamos chegar. Qual a graça então de seguir? E assim, caminhei aqui por doze anos. As plantas, espero que fiquem, e que ninguém jamais pense em tira-las do lugar.
Escrito por Preto às 22h42
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Ê Povinho bunda!!!
Brasileiro diz "não" à proibição do comércio de armas no país
Escrito por Preto às 19h45
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Armas, sim ou não?
Tenho recebido e-mails (muitos) aconselhando votar NÃO no referendo sobre a proibição do comércio de armas de fogo e munições. O sim ou não é sempre perigoso. Restringe opiniões diversas. Escolher entre preto ou branco, bom ou mau, parece coisa da administração Bush, mas isso é outra história. Eu posso concordar em partes com alguma coisa e discordar também. Muitos aspectos envolvem a questão. Alguns desses e-mails garantem que optar pelo Sim, é manobra para desarmar a população e deixar um campo aberto, livre e desimpedido para os marginais, para o MST e pasmem, para uma revolução armada da esquerda do PT para tomar o poder e implantar uma execrável ditadura. Gostaria de saber onde esse povo arruma esse tipo de droga... pois nada, senão isso, pode justificar tamanha alucinação. Outro, usa dados sobre o perigo do desarmamento em outros países (sem citar as fontes) e nos assegura que ficaremos indefesos contra a violência generalizada dos bandidos. FICAREMOS??? Veja bem, qualquer PM, por mais despreparado que seja aconselha JAMAIS reagir a uma abordagem à mão armada. Ou seja, em matéria de assalto o criminoso está sempre em vantagem, ou o cidadão ordeiro, termo usado em outro e-mail, anda por aí de arma em punho? Alegam também os defensores da pistola que se um bandido invade sua residência você não tem como se defender caso seja proibido portar uma arma. E diz: “Uma arma na mão é melhor que um policial ao telefone”. Outra vez me parece ilógico ter arma em casa uma vez que cada caso é um caso particular. Seria um invasor apenas, dois, um bando? Quantas armas seriam necessárias então? Quem maneja melhor a arma, a mamãe, o papai, a vovó o filho adolescente? E se for o papai o “John Wayne” da casa e ele estiver jogando truco com os amigos? Então devemos ter arma e ficarmos em casa esperando o ladrão? É SEGURO PROMOVERMOS UM TIROTEIO DENTRO DE CASA? As armas de fogo não atiram sozinhas. Dependem de alguém Então devemos solicitar um outro referendo; Diga sim ou não ao ser humano!! Os armamentos, as drogas e o tráfico de animais silvestres são as três atividades mais lucrativas do planeta (entidades ligadas a ONU asseguram a veracidade dessa informação) Há muito dinheiro correndo. Quem vai levar a pior com a possível proibição do comércio de arma? O produtor de remédio, de cadeira de rodas, de caixões ou o fabricante de armas? Outra mensagem citam alguns países que se deram mal com a proibição dos armamentos. Curiosamente, são países onde a distribuição de renda, apesar de boa, acabou declinando. O nível de desemprego também aumentou e então citam o fato de que a “população ordeira” levou a pior. Será que a população ordeira não perde emprego, nunca fica revoltada, não usa drogas? Quem é população ordeira afinal? Quem são os desordeiros? Pagar imposto, ter emprego portar arma nos torna mais seguros? Um respeitável cidadão pacato e ordeiro não briga no trânsito, não tem um péssimo dia no escritório, não descobre que a mulher pulou a cerca, ou o filho fumou um baseado? Será que ele não acaba usando sua arma de defesa da família pra fazer uma grande cagada? Ah, ia me esquecendo, a revista Veja, tendenciosa como sempre, sai em campanha aberta pelo Não. Taí um tiro que pode sair pela culatra. Na dúvida, veja quem apóia um lado e o outro, daí fica mais fácil de decidir.
Escrito por Preto às 16h23
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Alguns...
Pessoas colaboram com talento em projetos artísticos dos quais acreditam. Conheço alguém que investe não só seu próprio talento, que aliás não é pequeno, mas investe trabalho, tempo, dinheiro (escasso) e prestígio de um nome construído com honestidade e muito respeito por todos. É natural que quem arrisca mais, mereça, quando algo dê retorno, o equivalente de tudo aquilo que apostou investindo. Para cada um, o que é de direito. Ao colaborador o tanto colaborado, ao inevstidor seu tanto investido.
Mesmo por que, caso nada dê certo, quem vai receber pelo projeto é o colaborador. Quem investiu depende do êxito para ter seu retorno assegurado.
Senão vejamos um exemplo: vou solicitar ao fundador da Sony que aceite um investimento tardio de minha parte em forma de grana... Agora que a empresa deu certo, me parece muito inteligente "apostar" na sua idéia e investir. Tenho certeza que quem colaborou com o velho senhor japonês já recebeu pelo que fez. Agora, quem investiu foi ele. Arcando com a elaboração da idéia, com os custos, com todo o trabalho e pagando as contas...
Dema K, músico, guitarrista e dos bons, formulou uma imagem muito interessante a respeito dos músicos:
A maioria é assim, cheios de pose e princípios éticos, mas é só ver um miolinho de pão arremessado na praça que se matam entre eles feito pombos famintos.
Escrito por Preto às 13h23
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O ser humano é o que atrapalha.
Ciente de que todos nós somos esquisitos. Ciente de que famílias são focos de problemas e algumas vezes são soluções para eles, poucas, eu diria. Ciente de que amigos são alienígenas e aparecem de vez em quando e nos deixam tão rapidamente que ficamos em dúvidas quanto a veracidade da tal aparição. Sigo meu caminho não traçado. Com o viés artístico a me orientar, e por que não, desorientar também. Os amigos aliás, e as amizades, em certas ocasiões, são mais contundentes do que os inimigos pois trazem na ponta da língua o fator surpresa. A frase que decepciona, que fere, que incomoda. Já dos inimigos se espera tudo, quase não há surpresas. A arte da amizade e do amor, da inimizade e do desamor. Gosto de pessoas mas perdôo todas elas. Gosto também da distância. Todos somos imperfeitos e ineptos para nos relacionarmos uns com os outros. Mas somos também teimosos. Relacionamentos são fontes de atritos constantes e o ser humano é o problema em essência. Sozinhos se amofinam, se perdem se degradam, se apagam. Alguns preferem assim ficar do que tentar o convívio. É fácil de entender. Hoje o que era amor, amizade, laço, pode ser desprezo, desgosto, enjôo. Mas o amor, difícil de se exercer supera tudo. Alguns amam e dão muito carinho de uma só vez. Se declaram e mais tarde, como se arrependidos, recolhem-se e desaparecem. Ontem admirador, hoje crítico mordaz. É sabido o velho ditado. Os súditos de hoje apedrejaram o rei pela manhã. A arte invoca desejos, sonhos e amarguras. Vejo nela a melhor forma de ilusão do homem. Iludir-se na música, nos versos, nas belas imagens de todas as telas, nos movimentos do corpo na dança. Comunicar-se assim como o mundo é árdua tarefa. Todos procuram a arte perdida dentro de si. A grande maioria dos artistas assim declarados são humanos, o que torna a arte um convite ao embuste. Poucos são os artistas que extrapolam o conceito material da nossa raça. Esses são os gênios. Gostemos ou não, pertencem a outro segmento da espécie.
Escrito por Preto às 10h49
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Didjei
Não gosto do termo DJ. Não gosto de DJs também. Da maioria deles. Não tenho saco pra tanta afetação. Essa glamurização de um sujeito que toca discos em festas e eventos me parece mais uma dessas distorções que estão se tornando regra no mundo da música. Parece que ser picareta é atributo básico para se descolar hoje em dia. Durante dez anos fiz em meu estúdio uma festa mensal que foi apelidada de festa do Barraco. O tema merece que eu conte numa outra ocasião, algumas histórias. Mas vale dizer que lá, entre outras, eu era responsável por colocar música para o povo dançar. O som da festa sempre tinha muito “black music”, coisas dos anos `70, `80 e rock and roll, claro. Por conta disso, várias vezes fui contratado para fazer o som de outras festas e diversos lugares. Sinal que o povo gostava do que eu fazia Também já chamei amigos para animar o Barraco com seus discos e assim acabaram sendo chamados para outros eventos e bares. Aliás, já trabalhei em um bar também. Chamava-se Matraca, e toda terça-feira o som da casa era por minha conta. Ganhava uma miséria, mas fazia por diversão. Agora o que me deixava incomodado era ser chamado de DJ. Não duvido do fato de que você precisa ter algum talento pra animar as pessoas que querem dançar numa festa ou bar, mas quem está tocando são as pessoas nos LPs e CDs, os músicos são os artistas. Quando o DJ produz alguma coisa e tem noção musical é admissível que o mesmo tenha algum prestígio, mas a maioria toca discos, bem ou mal. E é só isso. Deu saudades daquelas festas...
Escrito por Preto às 21h05
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musicaes 3
Pelo interior do Brasil, pessoas ou empresas que contratam shows nem sempre são do ramo, e quando isso ocorre, situações absurdas acontecem. Como produtor já presenciei diversas situações ridículas. Exemplos: exigir que o artista cante determinada música, colocar a avó que é meio surda num canto do palco ou invadir o camarim com um pelotão de parentes e amigos. O argumento para isso é quase sempre o mesmo: “Estou pagando o show e na minha cidade, mando eu”. No geral, na cabeça desse povo endinheirado mas jagunço por natureza, artistas são pessoas “metidas a besta” e não merecem respeito. No estacionamento de um shopping popular em Betim, (Minas Gerais) montaram um enorme palco para receber o show do Information Society. A banda fora contratada por um sujeito dono de uma concessionária de automóveis. Desconhecidos no resto do mundo, adoravam o Brasil. Pudera, só aqui ganharam dinheiro e alguma fama. O jovem empresário mineiro, fã confesso do grupo, queria uma apresentação marcante. Chegou dando ordens na produção. Mostrando um cabo de aço esticado do centro do palco até uma torre de uns quinze metros de altura no meio da platéia, disse que o vocalista desceria pendurado pelo cabo, e cairia enfrente a bateria. Daí, fogos de artifício explodiriam dando início ao show. Diante da negativa da produção e do cantor que andava de patins pra lá e pra cá ele ficou possesso. Contrariado,depois de muita discussão incumbiu um soldado do corpo de bombeiros a descer pelo cabo. Tudo pronto pra começar o show, luzes no bombeiro que soltava fumaça pela bota, (efeitos especiais) o pobre homem sobre a multidão começou a descer em direção ao palco. No meio do trajeto foi perdendo velocidade e parou dependurado sobre o povo. Começaram os risos e vaias. O homem fardado tentando deslizar a todo custo e nada. Foi preciso balançar o cabo preso ao palco para que ele saísse de lá. Quando chegou ao seu destino, no palco alguns rojões estouraram sem causar qualquer surpresa ou emoção. As vaias aumentaram e depois a platéia foi ficando calada. Um longo instante correu e o show finalmente teve início.. “I wanna know...what you`re thinking...” Cantou o sujeito sobre patins. Que coisa medonha. Por via das dúvidas escondi o crachá dentro da blusa e aguardei com muita paciência o final da apresentação.

Escrito por Preto às 08h44
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hoje
quero desejar algumas coisas. e isso eu já desejo...há muito tempo. mais do que desejar quero ver você realizando os meus, que são teus desejos. e mais ainda do que desejar, realizar.
testemunha que sou de que você os merece. parabéns
Escrito por Preto às 14h29
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acabou de chegar...

agora é mãos à obra...
Escrito por Preto às 15h21
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Eu sou Preto, Noel Rosa e Castelo Branco
No telefone: “Alo quem fala?” “Paulo Preto”, “Oi, aqui é fulano, tudo bem?” Daí mais tarde o tal fulano aparece no estúdio e vem o comentário quase infalível: “Pensei que vc fosse preto”. Já perdi a conta de quantas vezes isso me ocorreu. Entendo a surpresa de certas pessoas que falam comigo ao telefone ou ouvem falar meu nome e depois me conhecem pessoalmente. Mas teve uma ocasião em que um rapaz negro gerou uma certa polêmica ao dizer que eu, caso fosse, seria “negro” jamais preto, afinal, argumentou ele, ninguém tem pele preta. Certo. Quando o mesmo estava todo cheio de suas razões, eu disse a ele que também desconheço qualquer pessoa que tenha a pele branca, igual ao papel sulfite. Mas ele não se importava por me chamar de branco. Por que somos brancos se ninguém é preto? (Exceto eu e meus familiares...)
Não gosto de racismo. Não concordo com qualquer tipo de escravidão, racial, ética e nem me sinto com a mínima culpa por certas atribuições que apontam meus ancestrais “brancos” como possíveis escravocratas num passado não muito distante. O que fizeram meus trisavós foi problema deles. Se analisarmos a história evolutiva da humanidade, veremos que todos nós já escravizamos, e já fomos escravizados em algum momento. Os gregos tinham escravos, os egípcios tinham escravos, os romanos tinham escravos (para citar alguns). No mais, os negros que aqui chegaram como escravos, foram feitos escravos por tribos inimigas em continente africano. Prática arcaica, quase sempre um povo derrotado era feito prisioneiro e depois escravo. Na Roma antiga, os escravos tinham até certos privilégios e eram considerados como uma classe social. Portanto, toda e qualquer civilização de alguma importância histórica que deu origem aos povos que hoje conhecemos tiveram práticas escravagistas. Ficamos assim: você pode ser bege amarelado, bege avermelhado, marrom claro ou marrom escuro. Nem branco, nem preto.
Escrito por Preto às 22h25
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bienal
Faz tempo que não vou à bienal. Perdi as últimas quatro. Não sei se perdi muita coisa. Fico com um pé atrás quando o assunto é artes plásticas. Na minha opinião, tem mais picaretas do que na aréa musical. E olha que superar o universo da música nesse quesito não é nada fácil. Uma vez dois amigos passaram na minha casa e me levaram pra lá. Chovia muito e nem tudo estava pronto ainda no pavilhão, alguns artistas não tinham montado suas instalações (esse termo é bem perigoso). Olhando coisas aqui e ali, gostando e detestando fui ficando cansado. Entrei numa sala ampla e vazia. Nesta sala era pra ter uma obra de um artista húngaro, ou búlgaro, ou sei lá o que. Mais ele e sua criação não chegaram a tempo da abertura do evento. Mas tinha numa parede seu nome e o nome da coisa a ser exposta em breve. Era tudo branco, chão, paredes e um imenso vazio. Aquilo foi reconfortante, me descansou os olhos e a alma. Fui até o centro da sala imensa e abri meu guarda-chuva. Fui chamar meus dois amigos para ver aquilo. Tudo branco e uma umbrela aberta no centro. Adorei o resultado e me seti um grande canalha quando um monitor e muitos adolescentes entraram ali e ele começou a explicar a obra. O meu guarda-chuva. Mais engraçado ainda foi quando entrei ali no meio do grupo, peguei minha obra de arte, fechei e fui embora. Diria que fui um artista conceitual e performático na minha primeira mostra.
Escrito por Preto às 11h48
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Dodge Dart 72
Carros novos nunca me atraíram, e pra falar a verdade prefiro andar de bicicleta do que ficar engarrafado numa avenida qualquer de São Paulo. Isso de um tempo pra cá, por que há alguns anos atrás, ou muitos, pra quem acha que dezessete anos é uma eternidade, comprei um Dodge Dart e me vi apaixonado por aquele automóvel. Chamava muita atenção no bairro onde morei (Pompéia) que via nos opalas, voyages, paratis, e monzas, indicadores de sofisticação. Logo, ter um carro daquele era sinal de decadência. No Dodge cabia toda a minha banda e seus instrumentos. Espaçoso e confortável, consumia muita gasolina e era na base da vaquinha que íamos ao Rainbow, ao Black Jack e principalmente viajámos com o velho carro. Cinco passageiros mais o motorista era a capacidade permitida mas numa ocasião, voltando de um show, fui obrigado por policiais a encostar o carro para descer quatorze ocupantes. Gente que não queria esperar pela primeira condução que passaria por volta das cinco da matina preferiu se amontoar no carro. Dentro dele e no porta-malas. Muita conversa evitou a multa mas só nos foi permitido continuar levando o número de pessoas que o documento do carro indicava. Tem uma música do Queen que era exatamente o que eu sentia naquela época. O nome dela é: “I`m in love with my car” salvo engano. Uma noite voltando do teatro Paulo Eiró pela avenida Sto Amaro um sujeito embriagado pulou a grade que separava a pista dos ônibus e caiu em frente ao carro. Foi inútil freiar. Ele voou sobre o capô, pingou no teto e foi se estatelar mais de dez metros atrás do carro. Uma viatura da PM que seguia logo atrás me ajudou a prestar socorro e encaminhamos o bebum ao pronto-socorro. Por razões humanitárias paguei seu tratamento que incluiu um pino no braço e muitos remédios. Sem dinheiro pra consertar os estragos, e ficando a suspeita entre pessoas próximas de que eu era um moleque imprudente, acabei vendendo o velho Dodge Dart. O maldito pinguçu arrumou um advogado e me processou alegando que eu havia atropelado-o na calçada. Por sorte, as testemunhas presentes confirmaram a história verdadeira. Pra quem não conhece, amassar um Dodge com o próprio corpo não é pra qualquer um. Cachaceiro dos infernos!!!

Escrito por Preto às 15h58
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assim o é...
Resistir como a África infestada de doença e genocídio. Resistir como um palestino que tem suas terras invadidas. Resistir como a esperança dos ignorantes e oprimidos. Resistir como os cegos, como os loucos, como os derrotados. Resistir como quem sonha e não realiza. Resistir como quem sequer sabe sonhar. Resistir como espécie em extinção. Resistir como os rios poluídos. Resistir como os artistas anônimos. Resistir como os homens que amam outros homens. Resistir como um vício. Resistir como a violência , a ingratidão, a inveja. Resistir como os injustiçados Resistir como um vírus. Resistir como insetos, vermes , bactérias. Resistir como os velhos nessa fábrica de abandono que chamamos de mundo.
Resistir por que enfim, nascemos e não sabemos por que. E isso não nos foi ensinado. Mas resistimos, e isso é tudo. E cá pra nós, como temos resistido...
Escrito por Preto às 20h27
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