blog do Preto


Big Brother Brasil

 

Todo mundo que eu conheço fala mal do Big Brother da Rede Globo. Não tenho um amigo, próximo ao menos, que conversa sobre esse programa comigo. Sequer dão bola. Eu acho isso muito bom, pois nunca acompanhei edição alguma do BBB e seria conversa das menos produtivas caso alguém puxasse esse papo comigo.

Quem me conhece sabe que em meados de 1995, estava eu em Ubatuba numa praia olhando uma ilha que havia bem em frente quando tive uma idéia estúpida. A conversa girava em torno de pessoas amigas ou não que conhecíamos e ao lembrar desses personagens, especialmente, dos que causavam problemas por onde passavam, sugeri que seria divertido confiná-los naquela ilha em frente e ficar da praia, assistindo uma hipotética transmissão ao vivo das confusões que surgiriam. Tarados, assexuados, neuróticos, oportunistas, mentirosos, alcoólatras, psicopatas, golpistas, ninfomaníacas, fofoqueiras, histéricas, picaretas de toda sorte só sairiam dali ao vencer o desafio da sobrevivência. Claro, suspeitava eu que o vencedor só conseguiria sair dali se eliminasse literalmente os outros concorrentes. Era assim o formato do meu "programa".

De quebra, ficaríamos livres de todos eles, que sem dúvida alguma iriam nos divertir com muitas ocorrências bizarras, com o que havia de mais sublime e inusitado em matéria de relacionamento humano. Chamei a princípio a idéia de "Ilha dos Loucos". O título, um tanto óbvio, podia até ser modificado, mas a essência era essa; confinar gente perturbada, esquisita, maluca e por vezes sem caráter algum num local onde, por convívio forçado, passariam alguns dias infernizando-se uns aos outros. Confesso que de George Orwell, eu só havia lido Animal Farm, para uma escola de inglês, portanto, de big brother eu não sabia absolutamente nada. E em relação ao programa, resisto até hoje bravamente sabendo pouco, apesar desses 11 anos no ar.

O tempo passou e alguns anos mais tarde o tal Big Brother virou praga no mundo inteiro. Horrorosamente, diga-se, essa praga não acaba, e aqui no Brasil faz grande sucesso. Não sei o que faz as pessoas ficarem ligadas a esse programa, mas tenho como suspeita que seja a mesma substância que faz a música sertaneja ser o que é Brasil afora. E o que falar do funk carioca? E das bandas ruins para adolescentes, que ano após ano se reciclam para continuarem como surgiram, péssimas? Então, todos esses fenômenos tem uma substância secreta em comum e que alguma mente diabólica já conseguiu decifrar sua estrutura e ter total domínio sobre ela.

Tá na cara que Pedro Bial é medíocre e não se dá o menor valor, pois, ninguém apresentaria aquilo se tivesse um pingo de amor próprio. E isso nos leva a outra questão incômoda, mesmo sem assistir a essa porcaria, sabemos detalhes da atração. Além do Bial, sei por exemplo, que as mulheres, ao deixarem o programa mostram a bunda numa revista masculina. E isso também é intrigante. Afinal, o que mais elas fazem é mostrar suas bundas enquanto estão presas ali, e mesmo assim, assinam contratos com essas revistas. Há sempre uma polêmica sobre opções sexuais dos participantes, traições e intervenções da direção do programa quando a atração, invariavelmente, cai na monotonia. Enfim, mesmo que você não acompanhe aquilo, aquilo te acompanha. O BBB esta diariamente nos portais da web, nos taxis, nas ruas, nos bares, por todo lugar.

Eu poderia tentar falar bem desse programa idiota, e achar alguma utilidade para assisti-lo, mas acho complicado defender uma ideia besta que se tem numa praia debaixo de um sol escaldante merecer algum elogio. Mas na dúvida, da próxima vez em que eu tiver uma idéia grotesca, vou registrá-la em cartório. Ela pode valer um dinheirão, ainda que isso deixe o povo mais lesado e superficial do que ele é.

 

 



Escrito por Preto às 11h15
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
 
Histórico


Votação
Dê uma nota para
meu blog



Outros sites
 Olivia de perto